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Bastien Blanchard, CEO EnduroGP: “Gostaríamos de manter cinco a seis provas este ano”

A incerteza dos tempos que correm preocupam todos aqueles que estão, de alguma forma, ligados ao desporto. Bastien Blanchard, CEO do EnduroGP, não é exceção, na medida em que o surto de Covid-19 afetou, em grande medida, a temporada de 2020.

Não há dúvidas de que, estar no comando das operações durante um momento como este, não é nada fácil. Como CEO da ABC Communications, promotora do Campeonato Mundial de Enduro, Blanchard está a trabalhar incessantemente para tentar trazer de volta o EnduroGP, em segurança.

“O GP da Suécia foi cancelado a 4 de maio e a Estónia está, nesta altura, a tentar remarcar a prova. Espanha, Portugal, Itália e Hungria estão todos adiados e estamos a trabalhar para podermos mantê-los no calendário. Estamos a enfrentar tempos difíceis e é bastante difícil ver onde e como vamos estar em agosto ou setembro”, disse o CEO do EnduroGP.

“Juntamente com a FIM, temos conseguido trabalhar desde que fecharam as fronteiras em Itália e França, de forma a encontrarmos soluções. Já temos um potencial calendário para 2020, mas neste momento estamos todos à espera da decisão de cada país para podermos avançar”.

A realidade em que vivemos neste momento não tem ajudado, de modo algum, a tomar decisões em relação ao regresso às competições. É impossível adivinhar o dia de amanhã, saber o que vai acontecer a seguir ou quando tudo isto acaba. Além disso, quando o EnduroGP arrancar, tal como todas as outras modalidades, estará sujeito a regras de distanciamento social, controlos fronteiriços, regulamentos de quarentena, protocolos de viagem e ainda a uma série de outros fatores que irão variar de país para país e também de semana para semana, dificultando ainda mais o trabalho de quem organiza.

“Primeiro, precisamos de compreender se os organizadores vão conseguir realizar o evento, mas também se os pilotos e as equipas poderão participar no mesmo. Se fizermos um campeonato em que os pilotos de alguns países não puderem participar, onde está o verdadeiro valor desses Grandes Prémios? É impossível imaginar fazer um campeonato sem o Freeman, o Salvini ou o Larrieu e muitos outros. No entanto, dado que as fronteiras dos seus países permanecem fechadas, caso avançássemos com as corridas, isto poderia ser uma realidade. As nossas principais preocupações neste momento são as fronteiras e saber também se vamos conseguir fazer um evento com alguns espetadores”, avançou Blanchard.

“Gostaríamos de manter, pelo menos, cinco a seis provas este ano, de setembro a novembro, sendo que teríamos três corridas consecutivas. No entanto, para que tudo isto possa acontecer, é necessário termos a autorização das diferentes cidades e regiões para podermos percorrer as diversas zonas durante um fim-de-semana de corrida. Torna-se muito mais difícil para o Enduro, mas parece que vamos conseguir fazer um calendário sólido até ao final do ano se não houver uma segunda vaga do Covid-19 e se as fronteiras reabrirem”, ressalvou Bastien Blanchard, destacando a dificuldade de prever seja o que for neste momento de grande incerteza.

As conversações com a FIM e as equipas têm-se mantido desde o início do surto de coronavírus. A preocupação quanto à conjuntura atual é notória, mas todos os envolvidos querem ter um campeonato este ano, a partir de setembro.

“É muito bom termos o apoio das equipas. Todos eles nos disseram para tentarmos fazer o máximo de corridas possível e que estão prontos para correr o mais rápido possível”, revelou Blanchard. “Com certeza que a situação financeira não é a melhor para todos os envolvidos no campeonato, desde organizadores a equipas, pilotos privados e até para nós como promotores. Os patrocinadores também estão a enfrentar tempos difíceis e poderemos ter dificuldade em encontrar patrocinadores locais após esta crise”.

Porém, a questão dos patrocinadores é ainda mais complicada do que isso. “O mesmo acontece com as equipas e os pilotos”, afirmou o CEO do EnduroGP. “Será que os potenciais patrocinadores que tinham antes do surto ainda estarão dispostos a investir neles? Penso que as consequências desta pandemia a nível financeiro vão durar, pelo menos, mais uma ou duas épocas. Vai ser muito difícil para todos no mundo do desporto motorizado”.

Como o promotor do Campeonato do Mundo de SuperEnduro, Bastien Blanchard já está de olhos postos na temporada de 2021.

“Tínhamos um bom calendário para SuperEnduro no próximo ano, mas agora, depois de tudo isto, vou ter de contactar muita gente e encontrar-me com cada organizador para saber se eles ainda estão dispostos e capazes de fazer uma ronda no próximo ano. Se tudo correr como planeado, recomeçaremos em Dezembro, para que não haja sobreposição entre SuperEnduro e EnduroGP. Por isso mesmo, não iremos além de meados de novembro para terminar a época do Campeonato mundial de Enduro”, disse Blanchard.

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Foto: Enduro21/Andrea Belluschi



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