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MV Agusta F4: a história da moto com motor Ferrari F1

A MV Agusta F4 é um dos mais famosos modelos da marca italiana – e um dos mais poderosos, também. Quem nunca pensou ‘uau, que moto é essa?!’ ao ver seu escapamento sob o banco e roda traseira monobraço que atire a primeira pedra. Mas você conhece a fantástica história desta ‘moto com motor Ferrari’?

 

Era hora de reviver a MV Agusta

Ahistória da MV Agusta F4 se confunde com a de Claudio Castiglioni, um entusiasta de motos que ressuscitou marcas italianas. Filho de Giovanni, um dos três fundadores da Cagiva (Castiglioni, Giovanni e Varese), em 1991 ele adquiriu a MV e criou uma motocicleta lendária.

mv agusta f4 branca

A F4 é uma das motos mais famosas e poderosas da história da MV Agusta. Também, uma das responsáveis por trazer a marca de volta à vida

Além da Cagiva, Claudio foi dono também da Ducati, adquirida do governo italiano em 1985. Em 1986 ele salvou a fabricante de motos off-road Husqvarna de ser estampada em máquinas de lavar e geladeiras, quando a comprou da Electrolux.

O italiano viu muita coisa de perto. Como o desenvolvimento da clássica Ducati 916, lançada em 1994 e desenhada por Massimo Tamburini e Sergio Robbiano. Como tudo que é bom dura pouco, em 1996 o grupo da Cagiva precisou apertar a cinta e vender a Ducati.

Ducati 916

Ducati 916

Claudio teve então que se voltar para um outra marca de seu portfólio, a MV Agusta. Uma antiga (e multi) vencedora do mundial de motovelocidade, nascida na aviação pelo conde Giovanni Agusta, mas já defasada pelo tempo. Junto do fiel escudeiro Tamburini, ele decidiu reerguer a moral do lendário nome.

 

MV Agusta F4 – a moto com motor Ferrari

Castiglioni e Tamburini sonhavam com a ideia de criar uma italiana de alta potência desde 1989. Mas os recursos do CRC (Cagiva Research Center) eram drenados para o programa de corridas das 500cc (atual MotoGP).

No entanto, na época a Ferrari Engineering foi contratada para desenvolver um motor e, como mandava a encomenda, nasceu um quatro cilindros. Diga-se de passagem, semelhante a metade de um V8 Ferrari. A escolha das válvulas radiais do motor veio diretamente dos carros de Fórmula 1 da marca.

mv agusta f4 serie oro

A Serie Oro era limitada a apenas 300 unidades e chamou a atenção do mundo por seu design único e ficha técnica, movida pro um motor descendente do Ferrari de F1

Nem tudo foi mítico e perfeito, o desenvolvimento era problemático. Em 1991 o projeto foi transferido para a fábrica da Ducati. Dois dos engenheiros mais eminentes da marca, Massimo Bordi e Fabio Taglioni, foram contratados para ajudar a afinar a máquina.

Depois disso, o chefe da Cagiva, Riccardo Rosa, assumiu o controle do projeto. Andrea Goggi, engenheiro da casa desde 1988, foi encarregado de redesenhar o motor. Já Tamburini, que dirigia o departamento de design do CRC, ficou com a tarefa de finalizar o chassi e o estilo da nova moto.

O projetista havia ficado afastado dos trabalhos desde 1992, após os estágios finais da 916. Depois de tratar um tumor, ele voltou 1995 à atividade. E o primeiro protótipo da novidade, a F4, foi concluído à véspera da Feira de Milão (EICMA) de 1997.

A moto foi exibida à imprensa em 16 de setembro. O logo da MV roubou a cena, afinal há muito tempo não se via nada novo da marca! Embaixo da carenagem o motor de quatro cilindros em linha de 749,5 cc, com 16 válvulas radiais. Produzia 126 cv a 12.500 rpm e 7,2 kgf.m de torque a 10.500 rpm e velocidade máxima de 275 km/h.

MV Agusta F4 era exclusividade pura

A MV Agusta F4 chegou como uma edição limitada de 300 motos, Serie Oro de 1999. Máquina com carroceria em fibra de carbono e peças em magnésio. Depois disso viram os modelos S, destinados a uma gama mais ampla.

Uma F4 Senna também foi lançada em 2002. Castiglioni era amigo íntimo do piloto brasileiro e apresentou a moto especial para contribuir com o Instituto Ayrton Senna. A produção foi limitada a 300 máquinas, com motores já rendendo 136 cv.

mv agusta f4 senna

Senna era famoso pela sua velocidade e bom gosto quando o assunto eram carros e motos. Por isso, a equipe de design da MV se esforçou para lhe homenagear com um modelo ‘à altura’, em 2002

As cabeças dos cilindros foram cuidadosamente selecionadas para fornecer tolerâncias mais estreitas. Em resumo, tudo isso combinado com um chip eprom modificado permitiu que a linha vermelha fosse aumentada para os 13.900 rpm!

As F4 750cc foram produzidas até 2004, sendo substituídas pelas F4 de 1000cc. Contudo, a essa altura, a MV já tinha se tornado a principal marca do grupo Cagiva. Mas novamente problemas financeiros abalaram o Sr. Castiglioni, que vendeu sua parte na marca para uma empresa malaia de automóveis, a Proton.

MV Agusta – a marca de 1 euro

A MV carecia de grandes investimentos e a Proton precisava apenas do know-how de motores. Com isso, não foi surpresa quando em 2005 os malaios decidiram passar a marca italiana adiante, para a holding financeira italiana GEVI S.p.A. Curioso foi o valor simbólico de 1 euro.

Em 2007 Cláudio já não tinha mais a Husqvarna, vendida para a BMW, que depois foi parar nas mãos da KTM. O italiano encontrou uma nova oportunidade só em 2008, quando a Harley-Davidson adquiriu o Grupo MV. Concluída a aquisição, Castiglioni permaneceu presidente da marca.

Giacomo Agostini na MV Agusta 350 cc de quatro cilindros

Com um histórico glorioso nas pistas (especialmente nas mãos do multicampeão Giacomo Agostini), a MV passou por uma profunda crise financeira e quase desapareceu. Várias vezes

A Harley pagou dívidas e investiu na atualização da produção. Mas os americanos também foram balançados financeiramente e decidiram vender a fabricante em 2009. E aqui Cláudio teve sorte novamente. Em 6 de agosto de 2010, a MV renovada foi comprada pela família Castiglioni, pelo simbólico 1 euro – novamente!

O aporte financeiro da Proton e Harley foi suficiente também para apresentar a segunda geração da F4. Era uma moto lançada com o novo motor Corsa Corta de 998 cc e 201 cv, no EICMA 2010.

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Fim de um capítulo

Em 17 de agosto de 2011, após uma longa doença, Claudio Castiglioni morreu aos 64 anos. O fundador não chegou a ver o lançamento da sucessora F3 ao final do ano. Uma moto de três cilindros e 675cc, desenhada por Adrian Morton e com design de motor de Ezio Mascheroni, que também desenvolveu a Cagiva GP500.

mv agusta f4 de lewis hamilton

Assim como o ídolo Senna, Lewis Hamilton também já teve uma MV Agusta para chamar de sua. A edição limitadíssima a 44 unidades ganhou forma após a Mercedes (equipe do campeão) adquirir ações da fabricante italiana

Já sob direção do filho Giovanni, em 2014 a Mercedes-AMG adquiriu 25% da MV. Uma estratégia semelhante à da rival Audi, atual dona da Ducati. Se Senna tem uma F4, Lewis Hamilton também! Em 2017 foi lançada aF4 LH44, uma edição limitada a 44 unidades assinada pelo piloto de F1 Mercedes.

mv afusta f4 claudio

Claudio, a última edição da MV Agusta que deixou a fábrica. Modelo prestava uma justa homenagem a um de seus criadores

Mas em 2018 foi o momento de aposentar de vez a F4. Assim, uma edição especial de 100 unidades foi criada em homenagem ao grande criador, a F4 Claudio. Toda de preto e produzindo 215 cv e 11,75 kgf.m de torque, ela marcou o capítulo final de uma história – que deve ganhar continuidade em breve.

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