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Paulo Moreira, Extreme XL Lagares: “No que depender de nós, a prova vai acontecer em outubro”

Se não fosse a pandemia, estaríamos a celebrar o arranque do Campeonato do Mundo de Enduro (WESS), com o Extreme XL Lagares, em Portugal. Paulo Moreira, organizador da prova, explica a história por detrás desta prova de Extreme Enduro, que acabou por ser adiada para o início de outubro.

Por esta altura, as ruas históricas do Porto deveria estar vestidas a rigor, para receber um dos maiores espetáculos do Enduro: o Extreme XL Lagares. No entanto, o surto de coronavírus trouxe a decisão de adiar adiar a prova, que terá lugar entre os dias 2 e 4 de outubro.

“Foi uma decisão difícil de tomar, mas inevitável”, disse Paulo Moreira. “O mais difícil foi conseguir uma segunda data. O Porto está cheio de eventos e 2020 já estava muito preenchido. O calendário estava cheio e tornou-se também difícil compatibilizar com outros eventos fora de Portugal. Tomámos esta decisão o mais cedo possível para minimizar os danos para a nossa organização e também para os pilotos, para que tenham tempo de cancelar hotéis, viagens e reorganizar as suas vidas. Sofremos um grande impacto com tudo isto, porque já tínhamos todas as licenças, tínhamos publicado a data da prova e o percurso já estava limpo. Nesta altura do ano, na Primavera, tudo cresce rapidamente, pelo que agora temos de limpar tudo novamente antes de outubro”, explicou o organizador da prova, que afirmou ainda estar confiante de que a prova se irá realizar na data estabelecida.

“No que depender de nós, a prova vai acontecer em outubro, mas ninguém pode prever o futuro com esta situação. Temos de esperar e ver como Portugal e o resto do mundo reagem. Em Portugal, a abertura da competição ao ar livre está prevista para 1 de Junho com algumas limitações como o distanciamento social, mas acreditamos que vai acontecer nesta data”.

Apesar das dificuldades que o coronavírus trouxe, nem tudo está perdido, até porque Paulo Moreira aproveitou este imprevisto para trabalhar no percurso deste ano. “Estou em casa e utilizei este tempo de quarentena para trabalhar no percurso do Extreme XL Lagares, aumentando e aperfeiçoando algumas áreas para a edição de 2020, que não utilizámos durante alguns anos”.

Para recuarmos aos primórdios do XL Lagares, é preciso ter em conta o ano de 2003, altura em que Paulo Moreira decidiu dar asas a uma ideia que não poderia ter tido mais sucesso.

“Em 2003 parti ambos os braços e na altura estava a competir em Supermoto e Enduro. Tentando não perder muita massa muscular, comecei a andar pela zona de Lagares com o meu cão e sempre que lá ia, via algum potencial para fazer uma prova deste género. Falei com amigos num bar de motos local e após seis meses fizemos a nossa primeira edição do XL Lagares. Foi tão simples quanto isso. Depois do primeiro XL Lagares, por volta de 2008/2009 organizámos algumas provas de Extreme na minha zona e em 2010 começámos também a organizar provas de Enduro. Até à data, temos registadas 102 corridas”, disse Paulo Moreira, que admite alguma dificuldade em reunir consenso para arrancar com a prova, apenas na fase inicial do projeto.

“Foi difícil convencer as pessoas de que era possível, fizemos um clip para mostrar o percurso que queríamos fazer e depois disso tivemos uma reunião com as autoridades portuenses, que gostaram da ideia e não foi assim tão difícil vendê-la ao Porto. No entanto, no primeiro ano, como era a primeira vez e envolveu a UNESCO, precisávamos da aprovação de todos. Depois da primeira edição todos viram que a corrida era realmente boa e que o impacto no ambiente era quase nulo. Isto, fez com que se tornasse bastante mais fácil fazer as edições seguintes e passamos a ter sempre a porta aberta para fazer a corrida naquelas ruas”, revelou o organizador da prova, sublinhando ainda a importância crescente que a prova tem para a região.

“Também trabalhamos com as pessoas que vivem na zona. Todos os anos antes da corrida vamos lá, vamos de porta em porta e dizemos cumprimentá-los, damos uma t-shirt e explicamos o que se vai passar. Todos os anos eles estão à nossa espera. Esta corrida já está instalada na vida destas pessoas e no Porto em geral”.

O Extreme XL Lagares tornou-se um dos maiores eventos do calendário e o facto de ter passado a fazer parte do WESS ajudou a divulgar a prova além fronteiras.

“Penso que a criação do WESS foi boa para o desporto e para o XL Lagares. No entanto, com certeza foi difícil para nós receber todos os pilotos profissionais ao mesmo tempo. Anteriormente tínhamos cerca de seis ou sete pilotos desse nível e em 2019 já foram cerca de 80 pilotos pertencentes à classe Pro. A forma como o WESS trabalha com a sua comercialização e cobertura mediática é impressionante. As plataformas nas redes sociais são muito boas e em todo o mundo é possível ver todos os vídeos da Red Bull TV. É um privilégio fazer parte deste campeonato”, disse, orgulhosamente, Paulo Moreira.

Quanto à edição deste ano, já há alguns pormenores que podem ser revelados.

“Normalmente a nossa volta ronda os 20-25km, mas este ano será apenas uma volta, com mais ou menos 100km com pontos mais espectaculares, paisagens espantosas e com três tipos de terreno diferentes. Penso que este ano demos mais um passo. O povo português adora desportos motorizados, especialmente no norte, que podemos dizer que é a capital para os entusiastas e pilotos de Enduro. Nós temos as melhores condições por aqui e em 2020 contaremos ainda com um percurso melhorado”, avançou Paulo Moreira.

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Foto: Extreme XL Lagares



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