“Para que essa mudança aconteça, o piloto deve se questionar sobre diversos fatores, dentre eles, o financeiro, o técnico, o físico e porque não colocar também os aspectos emocionais.”
Salve, salve amigos da COLUNA GALERA SHOW!
Vamos falar um pouco sobre uma das muitas perguntas feitas por pilotos no início de temporada. Mudar ou não de categoria? Subir ou não para outra cilindrada?
Para ajudar os amigos pilotos e leitores nessas respostas busquei falar com quem entende das coisas. Pessoas que atuam a alguns anos e que hoje ocupam situações posições diferentes dentro do motovelocidade nacional.
Juntei as informações trazidas por esses profissionais, acrescentei o conhecimento e vivência que adquiri ao longo desses anos junto aos pilotos e o resultado é esse que veremos abaixo.
Já tive a oportunidade de ver bem de perto as mudanças feitas por centenas de pilotos ao longo desse tempo, alguns de forma bem sucedida e outros que acabaram não tendo a mesma performance das categorias anteriores.
O que será determinante no sucesso ou não? O momento certo ou não da mudança estão nos elementos que apresento na sequência.
Para que essa mudança aconteça, o piloto deve se questionar sobre diversos fatores, dentre eles, o financeiro, o técnico, o físico e porque não colocar também os aspectos emocionais.
Importante também dentro desse processo é o piloto entender qual foi sua base de formação. Pilotos que iniciaram mais jovens e consequentemente vivenciaram experiências nas categorias de base poderão ter embasamentos ainda mais valiosos sobre os itens acima no momento de tomar a melhor decisão.
Claro, tudo que vou descrever abaixo passa muito pelo que o piloto almeja dentro do motovelocidade. O que ele quer para ele como piloto e quanto está disposto a se aventurar para seguir um novo caminho.
Gostaria de começar pelo item que considero o mais importante que é a questão técnica. Tomando por base os relatos dos amigos que gentilmente me alimentaram com seus conhecimentos e mais uma vez tomando como fonte as múltiplas conversas que tive nesse período com pilotos nessa transição, posso afirmar que o momento certo da mudança é quando você já está muito próximo do limite da sua categoria atual. Ou seja, tomar como base o tempo que você vira em relação aos pilotos mais rápidos da sua categoria atual vai mostrar para o quanto ainda existe de margem a ser percorrida. Sendo assim, se você já estiver próximo do limite, é sinal que já tem um conhecimento técnico que lhe ofereça uma margem de segurança para alçar voos mais altos ou mais rápidos.
Impossível na sequência não entrarmos na parte mais crítica dessa mudança que é a financeira. Quanto mais alta for a cilindrada, maior também serão as despesas. Se pensarmos que hoje é possível fazer um final de semana inteiro com um jogo apenas de pneus numa categoria até 400cc, essa mesma condição será impossível numa categoria de 600 ou 1000cc, que exigi á no mínimo 2 pares completos e mais 1 pneu traseiro para que o piloto consiga performar em alto nível e com segurança. Ainda nesse aspecto financeiro precisamos lembrar que o desgaste de freios, os custos com eventuais quebras ou quedas mais elevados nas motos de maior cilindrada.
Ainda nessa abordagem, quando esse cuidado financeiro não é bem gerido ou bem planejado ele acaba gerando uma mescla de sentimentos no piloto com o passar das etapas, que por sua vez, acaba trazendo um desgaste emocional e colocando o piloto numa condição extremamente desconfortável. Também deve-se levar em conta com qual equipamento vai andar, buscar o modelo de moto apresenta o melhor custo-benefício dentro da sua proposta e encontrar o equilíbrio entre a performance e o bolso para não ter frustrações posteriores.
Outro fator que considero essencial é entender que, quanto maior for a cilindrada, maiores serão os cuidados com o físico e com o emocional. Não basta estar sentado sobre um equipamento forte, é preciso que o piloto também esteja bem e se conscientize que estar fisicamente preparado vai ajudá-lo a frear melhor, a fazer as transições com maior agilidade gerando uma condição que o sustente também emocionalmente para fazer as melhores tomadas de decisões em velocidades que ultrapassam os 250 km/h.
Nessa mais de uma década dentro do motovelocidade, por inúmeras vezes já vi o caminho inverso acontecendo. Pilotos deixando as motos de maiores cilindradas e buscando uma condição de prazer em motos de menor velocidade, ou em categorias monomarcas. Isso se dá por diversos fatores. Fatores econômicos, pressão familiar, mudanças de emprego, etc. Perceber que chegou ao seu limite, que talvez seja melhor dar um passo atras para lá na frente dar dois a frente também é louvável. Conheço diversos pilotos que fizeram o que puderam e hoje descobriram o quanto ainda conseguem desfrutar do motovelocidade retornando para categorias de menor velocidade. Algo que, se insistissem nas motos mais fortes certamente já teriam feito com que suas carreiras se encerrassem.
Ou seja, calcular cada passo, olhar minuciosamente para cada detalhe pode fazer toda a diferença.
O importante é você estar feliz fazendo o que gosta, não importa a cilindrada.
Meu agradecimento especial aos amigos Paulinho Superbike, Leo Manella, Leo Tamburro e Edson Luiz “Mamute” que gentilmente me se dispuseram a colaborar com informações para a montagem desse conteúdo.
Vamos chegando ao fim de mais uma edição, caso queira sugerir algum tema ou queira conhecer um pouco mais sobre esse que vos escreve mensalmente, vai lá no Instagram @ale.eiras.narrador
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E para terminar daquela forma que vocês já conhecem.
Imagens gentilmente cedidas pelo fotografo Juliano Capreti
Forte abraço GALERA SHOWWWWW!!!