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Relembre o teste da Suzuki Intruder 125 (com ficha técnica)

A Intruder 125 foi um best seller da Suzuki no Brasil, vendido por aqui entre 2002 e 2016. Além disso, o modelo possibilitou que milhares de apaixonados pelas custom pudessem rodar com estilo e praticidade sem migrar para (e investir na) alta cilindrada. Era, portanto, uma moto democrática e confiável – a ponto de ser amplamente usada pelos Correios.

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A Intruder 125 é uma guerreira nacional. Aliás, tão guerreira (e nacional) que se tornou um símbolo do Correios

A Intruder 125 é uma guerreira nacional. Aliás, tão guerreira (e nacional) que se tornou um símbolo do Correios

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Assim, o modelo não nos deixou completamente. A Suzuki cessou a produção da Intruder ao tempo em que passou a disponibilizar no nosso mercado a HaoJue Chopper Road 150. Na prática, trata-se de uma versão atualizada da street que bem conhecemos.

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Dessa forma, as principais mudanças da Chopper em relação a Intruder estão nos freios e motorização. A chinesa conta com discos nas duas rodas e sistema combinado (CBS). Já o motor está um pouco mais vigoroso, especialmente em baixas rotações. Desse modo, o principal ganho está no torque, que cresceu de 0,98 kgf.m a 7.000 rpm para 1,17 a 6.000 rpm. A potência máxima subiu de 11 cv a 9.000 rpm para 11,3 a 8.000 rpm.

HaoJue Chopper Road 150: a substituta da Suzuki Intruder 125

HaoJue Chopper Road 150: a substituta da Suzuki Intruder 125

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Entretanto, não é sobre a Chopper que iremos falar e sim a respeito da Intruder 125! Relembre o teste que fizemos com ela em 2012 e mate a saudade desse clássico.

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Teste Suzuki Intruder 125

Quando o mercado brasileiro experimentou aquela enxurrada de novas marcas de motocicletas no início do novo milênio, quase todas elas tinham na sua linha de produtos uma pequena custom. A Suzuki, que já montava motos por aqui, também tinha as suas pequenas custom desde 2002 com a linha Intruder em duas versões: 125 e 250.

Desenho clássico e comportamento dócil: a pequena custom da Suzuki tem no conforto e na economia de combustível seus maiores atrativos

Desenho clássico e comportamento dócil: a pequena custom da Suzuki tem no conforto e na economia de combustível seus maiores atrativos

De todas aquelas marcas e suas pequenas custom, poucas sobreviveram e apenas três continuam disponíveis hoje e merecem menção: Kasinski Mirage 250, Dafra Kansas 150 e Suzuki Intruder 125. A mais barata e mais vendida é a Intruder 125 que, de acordo com os comentários de seus proprietários no Fórum Motonline, é uma opção diferenciada em relação às street para quem não deseja ser confundido com os profissionais do motofrete e admite personalização ao gosto de cada um, só dependendo da capacidade do bolso.

Urbana e bem comportada, a Intruder se destaca na paisagem

Urbana e bem comportada, a Intruder se destaca na paisagem

Na unidade avaliada por Motonline, muitas das características positivas e negativas apontadas pelos consumidores persistem. Do lado positivo, o destaque fica para a economia de combustível, o conforto e a qualidade do acabamento da moto, com peças plásticas e cromados bem feitos e, ao melhor estilo Harley-Davidson, para-lama dianteiro em aço.

Desse modo, o lado negativo está representado pelo farol fraco, motor lento e pela excessiva vibração do propulsor. Assim, fica o alerta para vigiar de perto as fixações e reapertos.

Antes, uma intrudução

Como a base para esta avaliação é a opinião dos consumidores que publicaram suas opiniões sobre a Intruder 125 no Fórum, decidimos compilar as reclamações mais relevantes e pedir a opinião da fábrica, dando a ela a oportunidade inclusive de enriquecer esta avaliação. Contudo, a J.Toledo (que representa a Suzuki no Brasil) limitou-se a responder que “os questionamentos feitos pelos consumidores são bastante subjetivos, e (…) nos reservamos ao direito de não respondê-las”.

Material publicitário da Suzuki para a Intruder 125

Material publicitário da Suzuki para a Intruder 125

Portanto, é importante destacar que sobre a motocicleta havia poucas críticas, também falando sobre freios fracos e à qualidade do chicote elétrico. Entretanto, que existiam várias reclamações sobre a rede de concessionárias, seja por seu pequeno número ou fraco nível de atendimento técnico por essa mesma rede.

Motor

O motor da Suzuki Intruder 125 é um monocilíndro, de duas válvulas, comando simples no cabeçote (OHC) e arrefecimento a ar. Lançada em 2002, a Intruder 125 ganhou mais potência e torque em 2007, pela adoção de um carburador de funcionamento mecânico e com giclê maior. Assim, recebeu 1 cv a mais de potência (12,5 cv a 8.500 rpm) – enquanto o torque subiu para 1,19 kgm a 8.000 rpm.

Mecânica simples e robusta; detalhe do sistema Pair no alto à direita

Mecânica simples e robusta; detalhe do sistema Pair no alto à direita

Porém, a versão 2012 tem carburador Mikuni BS25 a vácuo com TPS (Sensor de Posição do acelerador). Além disso, há CDI (Módulo de Controle de Ignição Digital) e sensor de posição de marchas, retornando a potência para 11 cv e o torque para 0,98 kgfm.

Na prática, isso significa uma certa “lentidão” nas arrancadas e retomadas e, provavelmente, a fábrica explicaria esse retorno para poder aprovar a moto nos testes de emissões e de ruído do Promot3. Ou seja: o cavalo a menos de potência na versão 2012 faz boa diferença.

Sobre emissões, esse motor está equipado com o sistema PAIR (Pulsed-secondary Air injection), uma válvula que injeta ar na saída do cano do escapamento. Dessa forma, o sistema simplesmente joga mais oxigênio para completar a queima dos gases expelidos e diminui a quantidade de hidrocarbonetos expelidos.

Vibração

A vibração excessiva é real e muito sensível, sobretudo nas pedaleiras. Apesar dela ser característica dos motores de um cilindro, em uma moto de mecânica tão simples como essa a fábrica já poderia ter pensado em uma solução igualmente simples, como o eixo balanceiro ou uma dose mais generosa de calços de borracha.

Economia: média de consumo da Intruder 125 ficou acima dos 35 km/litro

Economia: média de consumo da Intruder 125 ficou acima dos 35 km/litro

Assim, cabe a advertência aos desavisados para pedir uma aperto geral nos parafusos de toda a moto para evitar sair pelas ruas perdendo pedaços. Essas constatações negativas devem ser bem menores com o tempo, já que a moto avaliada estava com menos de 1.000 km rodados e, portanto, ainda em fase de amaciamento.

Entretanto, o lado positivo da motinho compensa com folga os negativos. Longe de ser condenada, ao contrário, a Intruder 125 é gostosa de pilotar e não admite nervosismo no trânsito. Por característica, ela é tem respostas lentas, tanto do motor quanto do conjunto ciclístico. Vá com calma e ela responde tranquilamente, no seu tempo.

Consumo e câmbio

Na prática essa calmaria toda se traduz em muita economia que, projetada para uma fase pós-amaciamento, deve melhorar ainda mais, chegando próximo de 40 km/l. No período de avaliação, a Intruder 125 fez média de 36,7 km/l.

Detalhe do guia para engate das marchas estampado em baixo relevo na tampa do pinhão

Detalhe do guia para engate das marchas estampado em baixo relevo na tampa do pinhão

O câmbio de 5 marchas é preciso e macio, mesmo na fase de amaciamento. Não espere velocidades muito superiores a 90 km/h (reais), apesar de o velocímetro chegar até a marca de 110 km/h no limite da rotação do motor. Talvez já coubesse uma injeção eletrônica, mas isso não garante melhora no desempenho da moto em questão relativa à potência e velocidade final. No fim das contas, é preciso lembrar que ela é uma custom de 125 cc, cuja proposta certamente não é arrancadas rápidas e grandes velocidades.

Ciclística

O chassi da Intruder é tubular e tem o motor como parte da sua estrutura. Como uma característica quase natural nas custom, ela mostra uma frente bastante leve, fruto do deslocamento do peso mais para a traseira.

A suspensão dianteira é um garfo telescópico tradicional com bom curso e capacidade de absorção de irregularidades. Na traseira, há balança oscilante com dois amortecedores com regulagem na pré-carga da mola. O conjunto é suficiente e a prova disso isso são as costas do piloto que não sentem tanto as pancadas da roda traseira nos buracos.

Falando nelas, as suspensões são bem ajustadas e a regulagem nos amortecedores traseiros, embora seja trabalhosa, ajuda na adaptação aos diferentes usos.

Rodas e freios

Para-lama de aço, um dos muitos cromados da Suzukinha

Para-lama de aço, um dos muitos cromados da Suzukinha

As rodas são de liga-leve e os freios também são eficientes para a classe e o tamanho da moto. Na dianteira, há disco com pistão simples e na traseira, tambor. As rodas de liga leve contribuem para a estética descolada e o peso de 113 kg facilita as manobras.

A posição de pilotagem ereta é favorecida pelas pedaleiras pouco adiantadas e o guidão estilo “pull back”, mais alto e para trás, ajudando no deslocamento do peso para a traseira. O largo banco para piloto e garupa é mais um dos pontos fortes dessa 125.

Dessa forma, o conjunto se destaca pela simplicidade e segurança que transmite ao piloto em qualquer condição de pilotagem, inclusive em ruas esburacadas. Apesar de ter uma ciclística condizente com uma custom, as características de dirigibilidade são mais rápidas do que seria de se esperar, devido ao baixo peso do conjunto.

Equipamentos

É interessante notar que nas ruas, a Intruder, apesar de pequena, chama muito a atenção. Para quem gosta do desenho clássico, tipo “old fashion”, essa custom com diversas peças cromadas (como para-lamas, setas, retrovisores, escapamento e um enorme bagageiro) a diferencia das outras 125.

Painel fiel ao estilo "old fashion"; completo e funcional

Painel fiel ao estilo “old fashion”; completo e funcional

Além disso, outro destaque é o excelente painel. Com dois grandes mostradores redondos com velocímetro e conta-giros, ele também possui marcadores de marcha engatada e de combustível encaixados ao meio, além de luzes-espia, que trazem as informações com clareza.

Além de vir bem equipada de fábrica, o mercado oferece uma infinidade de acessórios para que o consumidor personalize sua moto ao seu gosto. Para-brisa, alforjes laterais, pedaleiras avançadas, sissy-bar (apoio para as costas do garupa) e muito mais.

Dessa forma, a possibilidade de customização é um grande atrativo da Intruder 125. Por fim, outro item citado pelos consumidores foi a trava do guidão na coluna, o que na versão 2012 está incorporada à chave.

Mercado

Apesar de o mercado brasileiro estar com dificuldades para vender motos, sobretudo as pequenas, a Suzuki tem um bom produto na classe e pelo volume registrado mais recentemente, parece que a Intruder 125 está sozinha. Suas concorrentes diretas (Dafra Kansas 150 e Kasinski Mirage 150) perdem espaço no segmento desde 2010, apesar de terem o motor um pouquinho maior.

Claro que todas as outras 125 e até as 150 do mercado representam concorrência à pequena custom da Suzuki. Entretanto, quem busca uma moto exclusiva, com estilo próprio, mecânica simples, robusta e econômica, encontra na Suzuki Intruder 125 uma boa opção.

Suzuki Intruder 125, vale a pena?

Ninguém fala isso com alegria, mas vale o alerta para o fabricante (ou representante da marca no Brasil) que hoje pesa muito para os consumidores da marca um certo “sucateamento” da rede de concessionárias, com lojas fechando ou mudando de bandeira. Além disso, há uma reclamação recorrente de mão-de-obra ruim, falta de peças e preços altos nas lojas da marca.

No caso da Intruder 125, trata-se de uma moto simples, que aceita várias peças de outras motos e que são encontradas com facilidade e a preços mais atraentes no mercado paralelo. Porém, aos consumidores de motos maiores da marca isso pode representar a infidelidade definitiva.

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Ficha Técnica Suzuki Intruder 125

Ficha técnica Suzuki Intruder 125

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